Conceito de e-car e cidadania digital

Nesta quarta acontecerá o último dia da I3E2003 (The third IFIP conference on e-Commerce, e-Business, and e-Government), que está acontecendo no Guarujá, em São Paulo. A organização procurou realizar um evento à altura das melhores conferências internacionais, e a comissão organizadora é a seguinte:

General Chair: Manuel de Jesus Mendes

Program Co-Chairs: Reima Suomi e Carlos Passos

Organizing Co-Chairs: Romildo Monte e Roberto Agune

Treasurer Chair: Jarbas Cardoso

Workshops Chair: Clenio Figueiredo

Conference Honorary Chairs: Prof. Dr. Radu Popescu Zeletin, Fokus, Fhg, Germany, e Arnaldo Madeira, Secretário da Casa Civil de São Paulo.

O Ijuris - Instituto de Governo Eletrônico, Inteligência Jurídica e Sistemas - é um dos "supporters" do evento, e realizará, neste último dia, o workshop sobre "Soluções tecnológicas para Governo Eletrônico".

Nesta terça, dia 23/09, destacaram-se os seguintes pontos:

1) Sessão de abertura: "E-Cars: communication on the road"

Dr. Ralf Guido Herrtwich, Daimler Crhysler Telematics Research

Relatada por Cláudia Diaz Pomar, Valdir Antonio Luiz Junior e Eduardo Marcelo Castella

A telemática surge como uma nova tendência na indústria automotiva, mudando drasticamente o modo de comunicação dos automóveis. Veículos conectados com a Internet são uma realidade desde 1997, quando a Mercedes-Benz introduziu o primeiro carro conectado à Web. A conexão entre veículos, anteriormente feita através de sinais de luz ou sonora, passou a efetivar-se sob formas mais dinâmicas. Serviços como notícias, escritório móvel (e-mail, fax,...), indicação de hotéis, restaurantes, cinemas, rastreamento do veículo, manutenção que inclui telediagnóstico e atualização, indicação de tráfego, clima, geografia, e outros serviços automotivos, farão parte da nossa realidade muito em breve.

O e-car estabelecerá tais conexões através de celulares, sensores dispostos em vias públicas e satélites. Ele se conectará à Internet, ou com outros veículos, ampliando suas funcionalidades, permitindo compartilhar e trocar informações, e ainda, será possível comunicar-se com dispositivos de sinalização nas rodovias e dentro das cidades. Receberá informações de sensores dispostos ao longo das mesmas com indicações sobre acidentes geográficos, tais como declives e curvas, e também no caso de serviços reparadores ou atendimento a acidentes. Sensores também poderão funcionar como sistemas de segurança dentro do veículo, evitando colisões, podendo mesmo frear o veículo automaticamente no caso de aproximação de obstáculo e, detectar quando o motorista estiver sonolento ou cochilando. Nestes dois últimos casos já existem protótipos e sistemas em funcionamento, mas longe das reais possibilidades de uso.

Os serviços telemáticos otimizam fatores como segurança, conforto, eficiência e informação. É possível que ao envolver-se em um acidente, o sistema de comunicação acione polícia, serviços médicos, bombeiros, e também outros e-cars que estejam nas proximidades; evitando que os mesmos possam envolver-se no acidente o que causaria mais transtornos. Semáforos inteligentes emitirão sinais, ou modificarão seu tempo e fase, em caso de eminente colisão.

A tecnologia do e-car vêm sendo desenvolvida por várias montadoras de veículos, porém para sua efetivação em toda amplitude desejada pelas companhias dependerá de parcerias da iniciativa privada com a infra-estrutura governamental, disponibilizando equipamentos, sensores, em locais públicos. A idéia é de que esta tecnologia seja empregada em todas os modelos de veículos, hoje ainda restrita a modelos mais luxuosos.

A comunicação tecnológica do e-car tem potencial para capacitar e suportar várias inovações na indústria automotiva. Os desafios prometem ser resolvido em curto prazo, envolvendo baixo custo e qualidade de serviços. E-car e comunicação em rodovias está provavelmente mais próximo do que se imagina.

2) Sessão de encerramento: "e-Society: myth, strategy, implementation, reality-and what comes next?"

Dr. Karl-Heinz Loper, Ministry of Interior, Land of Berlin, Germany

Relatado por Eduardo Marcelo Castella

Os serviços de e-gov vêm sendo constantemente aprimorados e ofertados em maior quantidade tanto em produtos quanto em acessibilidade. Mas mesmo em países como a Alemanha, especificamente em Berlin, onde a implementação já ocorre há dez anos, vê-se que há muito a evoluir.

Dentro do quadro de expansão para atendimento ao cidadão via eletrônica, há a necessidade de implementar políticas no sentido de instalar serviços de envio de informações (acesso público à rede); serviços interativos; agregar valor aos serviços ofertados; redesenhar processos; proceder a uma administração do relacionamento com o consumidor. Tal importará, de outro lado, em considerar os custos reais de operação do sistema; a quantidade de acessos; infra-estrutura; segurança e a facilidade no uso. Na ponta final tem-se: melhor qualidade dos serviços em menor espaço de tempo.

Certamente isto importa na aplicação de várias estratégias para alcançar a estrutura desejada. No entendimento do Ministro do Interior de Berlim, os caminhos passam pela implementação de um projeto global de infra-estrutura em e-gov; construir um "Conceito de Serviço Integrado"; desenvolver fluxos de processo de trabalho; implantar projetos pilotos; criar uma organização técnica, jurídica e financeira totalmente integrada; cooperação e padronização das ações. E, utilizando o jargão já comum na rede, "pensar grande; começar pequeno; desenvolver rápido".

Para o futuro acredita-se que ocorrerá uma maior descentralização dos serviços, passando a incidir uma maior ação regional e local. Com acesso melhorado aos serviços, implicará em maior acesso da população; aprimoramento da segurança da informação; menor burocracia (causadora de entrave à otimização dos serviços públicos); ampliação da carta de serviços oferecidos e, ao final, resultará em uma administração pública mais transparente e com fiscalização e participação popular mais incisiva.

Um grande atropelo ao andamento dos serviços de e-gov é a própria estrutura governamental. Ainda dependente de inúmeros procedimentos burocráticos, pode ser o maior arrasto ao aceite das novas tecnologias. No entanto devemos trabalhar para romper com tal estrutura e desenvolver tecnologias que possam ser utilizadas tanto agora como no futuro, sem a necessidade de mudanças significativas o que causaria grande problema para a superestrutura estatal.

Da mesma forma como a implementação de tecnologias como o telex e, posteriormente o fax, implicaram em mudanças de hábitos e custos, certamente a Web está causando o mesmo impacto neste momento. Em verdade o desafio já foi lançado, cabe a nós aceitá-lo e trabalhar para que se torne uma realidade palpável.

3) Workshop 3 - "e-Government and Citizenship, Best practices in health, education, security and governance"

Copom On Line: Sistema Geográfico de Informações

Relatado por Aline Junckes, Valdir A. Luiz Jr.

Configurado pela Polícia Militar do Estado de SP, o Copom On Line é um sistema georeferenciado que auxilia o atendimento das ocorrência registradas pelo 190, atendimento telefônico utilizado para registros das ocorrências policiais, possibilitando o remanejamento de recursos policiais para áreas mais críticas.

O Copom On Line contempla dois módulos de utilização, o primeiro voltado para o atendimento 190 e o segundo para mapeamentos estatísticos da situação de determinados locais e/ou índices criminais.

O mapeamento das ocorrências no sistema geográfico é feito através da localização da longitude e a latitude da ocorrência localizadas através do número de telefone utilizado e, além de armazenar estas chamadas para o 190, guardando informações da ocorrência como por exemplo, a rua, o nome dos envolvidos e o telefone dos mesmos, controla a chamada e encaminha-a para atendimento policial adequado, informando quais as viaturas e os policiais militares que se encontram mais próximos da ocorrência, reduzindo o tempo de chegada da viatura ao local da ocorrência.

Neste modulo é possível incluir pontos de interesses, organizados por níveis de interesses, do usuário no sistema, onde armazena-se a longitude e a latitude do local a ser incluído, que serão úteis para definir a alocação de um maior (nas regiões mais graves) ou menor (nas regiões sensíveis) número de policiais militares na região,

O segundo módulo disponibiliza mapas estatísticos sobre a quantidade de ocorrências em determinada área podendo o usuário setar a delegacia, o ponto de interesse, o tipo de crime, a viatura envolvida, o status da viatura, verificar ocorrências, áreas criticas por hora, status das ocorrências, entre outros para fazer a pesquisa desejada. Obtém-se também mapas comparativos entre períodos de tempos e áreas mais críticas do estado.

Outra possibilidade é o relacionamento de ocorrências tal como apreensão de armas e entorpecentes, entorpecentes e roubo de veículos além da possibilidade de visualização dos extratos das ocorrências.

As principais tecnologias empregadas no Sistema Geográfico de Informações são: Lotus, Intergrafh, Microsoft, Folio, Citrix e IBM.

O Copom On Line já esta presente mapeando geograficamente mais da metade do Estado, e, aproximadamente, 10.000 policiais militares já utilizam o sistema.

Infocrim - Sistema de Informações Criminais.

Relatada por Cristina Souza Santos

O artigo foi apresentado pelo gerente de Projetos da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Sr. Antônio Arimatéia dos Santos Silva. O sistema utilizado pela Secretaria apresenta toda a informação histórica dos Boletins de Ocorrência, principalmente, a natureza do crime, o local, a data e hora e os envolvidos na ocorrência. Ele realiza a integração de informações de três sistemas de cadastro de BOs utilizados nas diversas Delegacias do Estado São Paulo: IDP (mainframe), Registro Digital de Ocorrência (DB2), e-Delegacia (SQL), que é a possibilidade de geração de BO via web, em crimes de menor complexidade. Além dessas bases de dados, existe a integração com o Fotocrim (sistema de mapas).

O objetivo principal do aplicativo na sua concepção era o monitoramento geo-processado das informações do Boletim de Ocorrência. Para a geração dos mapas dos locais das ocorrências é utilizado o MapInfo, e o Geomídia como servidor desta estrutura. Porém, esta funcionalidade do sistema está apresentando muita lentidão no processamento, podendo levar até 15 minutos para gerar mapas mais complexos.

Com o tempo, várias outras tarefas foram agregadas ao aplicativo, possibilitando hoje o acompanhamento estatístico das atividades criminosas do Estado. Ainda não é possível o cruzamento de dados de diversas delegacias e crimes para a identificação de quadrilhas e o monitoramento do crime organizado.

Em breve o sistema será acessado pelo Ministério Público e pelo Fórum Metropolitano Contra a Violência. É importante que o usuário tenha conhecimento dos fatores locais para facilitar na criação dos argumentos de pesquisa.

Os benefícios verificados após a implantação do sistema foram: maior agilidade na tomada de decisão; comprometimento da corporação; melhoria na qualidade das informações; agilidade na geração de informações; gestão direta e indireta de equipes;evolução tecnológica dos usuários; maior integração com outros órgãos; redução de custos operacionais e materiais; integração das polícias militar, civil e metropolitana. O objetivo é atingir 20.000 usuários. O sistema não apresenta tratamento inteligente, mas, segundo o interlocutor, a inteligência está na interpretação do usuário.

Acessa SP: Programa de Inclusão Digital do Governo do Estado de São Paulo.

Relatada por Vânia Barcellos

Apresentado pelo Sr. Fernando Guarnieri, o programa teve início com a discussão em como o Estado poderia oferecer um serviço 24 horas por dia 7 dias na semana, sem ser um despachante virtual, principalmente, para as Classes A e B que, segundo uma pesquisa do IBOPE/2000, representa 85% dos 15% da população da Grande São Paulo que tem acesso à Internet. Uma outra pesquisa realizada na periferia da Grande São Paulo, apurou que 90% dos entrevistados já ouviram falar em Internet, sendo que 81% acha que a Internet melhoraria a sua vida. Daí surgiu a idéia de que a Internet seria um meio para revolucionar a gestão pública.

Tal programa, PID, permite o acesso à informação, o que alavanca o desenvolvimento social e o pessoal, e como conseqüência, o desenvolvimento da comunidade. O compartilhamento é uma forma de desenvolvimento e a Internet surge como um agente potencializador desses eventos.

O objetivo do programa é ampliar os canais de acesso à TI; atingindo a população de baixa renda da periferia e do interior do Estado.

A estratégia é manter uma infraestrutura, que permita o acesso gratuito à Internet, capacitar os monitores para auxiliarem os usuários e, principalmente, oferecer um conteúdo relevante.

Foram investidos R$ 12.000.000 no programa e foram criados um total de 134 postos, sendo 63 municipais, 59 comunitários e 12 em postos públicos. Foram gerados 400 empregos, cadastradas 242.800 pessoas, 15.000 alunos em cursos on-line e foram feitos 4.425.777 atendimentos.

Os infocentros surgem como meio de divulgação para as atividades dos indivíduos, como por exemplo o Adeva, infocentro para deficientes visuais. Outra preocupação do projeto é a acessibilidade de informações realmente relevantes. O ambiente dos infocentros possibilita iniciativas como a publicação de contos de poetas voluntários da comunidade e a criação de um grupo de enxadristas que já ganhar alguns títulos importantes no Estado, em várias categorias.
Conceito de e-car e cidadania digital Conceito de e-car e cidadania digital Reviewed by on setembro 23, 2003 Rating: 5

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